frase Do Dia

Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.
E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos

1 João 5 - 14:15

IGREJA DE S. MIGUEL DE MOROÇA


Esta igreja foi construída nos princípios e a par da fundação de Portugal e era conhecida, pelo nome de “Igreja de S. Miguel de Moroça”. Construção antiga, pequena e baixa, revestida de pedra, por dentro e por fora. Traçado um tanto semelhante à velha Igreja de Cedofeita, ou qualquer outra românica. Nada existe nesta freguesia que “pertença” a construções românicas, portanto existe a hipótese de ter sido demolida e sobre ela se ter edificado a actual, entre 1568 a 1578.

É de realçar nesta edificação o retábulo da capela-mor de talha dourada com colunas salomónicas e decoração de parras, cachos de uvas, pombas, folhas de acanto e cabeças aladas, característica do séc. XVIII. Este retábulo foi concluído em 1714 e dourado pelo pintor portuense Manuel Ribeiro. O remate, em estilo rocaílle, deverá datar de 1762 e 1778.

Sobre o guarda-vento existe o coro que em tempos teve arcos e abóbada, sofrendo obras de modificação em 1873, a fim de dar passagem da torre Sul para a Norte, uma vez que esta não pode ter escadas de acesso devido aos dois grandes pesos graníticos das respectivas cordas do relógio. Interiormente encontramos um templo de três naves, com cinco arcos de cada lado, sobre quatro colunas em cantaria com base e capitel e mais duas embebidas no frontispício, em cantaria à vista. O chão, talhado a granito, em sepulturas, outrora muradas, e onde jazem as cinzas de muitos dos nossos antepassados; com tampos em macacauba e pau cetim.

O tecto das naves, em castanho velho encerado, com ornatos em talha dourada. Tem setenta e cinco caixotões na nave central e quarenta e cinco em cada uma das laterais. Estes, caixotões foram colocados em 1735 e copiados pelos então existentes no tecto da capela-mor. A iluminação natural faz-se por janelas rasgadas nas paredes, das quais por obra mandada fazer a expensas de D. Adelina Leite Nogueira Pinto Domingos de Oliveira, foram retiradas as grossas grades de ferro e substituídas por singelos vitrais artísticos.

Neste percurso em direcção ao altar-mor, associámo-lo à caminhada ou à preparação em direcção à zona principal do culto encontrámos, diversos altares:

À nossa direita, o Retábulo do Senhor Morto, apresenta a curiosidade de a mesa do altar ser um mostrador rectangular de linhas simples, onde jaz a belíssima escultura articulada do Senhor Morto (século XIX) que era exposta no passo do Calvário ao terminar a Procissão dos Passos. O retábulo tem ao centro uma imagem da Senhora do Rosário e aos lados as de São José e a de S. João Baptista. Duas esculturas do século XVII, provenientes da Capela de Sant’Ana.

Do lado esquerdo o Retábulo das Almas ou da Senhora do Carmo, bastante trabalhado nas colunas e entablamentos, é uma obra do século XIX com características maneiristas.

A este retábulo preside uma belíssima escultura do século XX, da autoria de José Ferreira Tedim.

Nas laterais estão as esculturas de São Bento e São Brás. Mais à frente, do lado direito o Retábulo do Senhor dos Passos. Preside a este retábulo a realística imagem do Senhor dos Passos que sai na majestosa procissão que anualmente percorre as ruas de Leça da Palmeira debaixo de elevado respeito e devoção.

Trata-se de uma imagem com o corpo bem modelado, não é uma imagem de roca. Em mísulas laterais estão duas imagens, o Senhor preso a coluna e “Ecce Homo”. Do lado oposto, o Retábulo do Coração de Jesus, na capela que actualmente lhe é dedicada, mas outrora já o foi a S. José, a Santa Quitéria e também a S. Lourenço.

Salienta-se deste retábulo ensamblado em 1906, mas sendo uma peça do barroco a escultura do Santíssimo Coração de Jesus, em tamanho natural, da autoria do mestre Francisco Couceiro, e oferecida por D. Adelaide Leite Nogueira Pinto.

Nos nichos laterais a Rainha Santa Isabel feita por Teixeira Lopes e o Beato Nuno Álvares Pereira. Lateralmente ao frontispício da capela-mor temos do lado esquerdo o Retábulo de São Miguel, onde encontramos a imagem do padroeiro da freguesia numa escultura que constitui uma verdadeira obra prima do mestre Guilherme Tedim, encomendada pela respectiva confraria em 1933. No mesmo altar, lateralmente temos Santo António e São João de Brito.

Do lado direito o Retábulo de Nossa Senhora de Fátima, onde ao centro temos a imagem da Senhora de Fátima esculpida por mestre Guilherme Tedim apresenta uma candura e transmite uma bondade das suas feições faciais que tocam o coração de quem a observa. No mesmo altar temos Santa Lúzia, advogada dos olhos, e o Mártir São Sebastião oriundo da respectiva capela que ficava do outro lado da rua. Já sobre o altar duas imagens, mais recentes, dos Beatos Francisco e Jacinta.

Prosseguindo o nosso caminho chegamos à Capela-Mor, com o seu retábulo, muito antigo, construído em madeira e profusa talha dourada. Ao centro deste retábulo um trono maravilhoso, muito bem concebido e executado, lateralmente temos as imagens de Santa Apolónia, advogada das dores de dentes, Santiago e São João Evangelista oriundo da Capela do Corpo Santo. Esta Capela-Mor tem lambrim em azulejo. À entrada da Capela-Mor está a imagem da Senhora da Conceição, proveniente do Convento Franciscano da Quinta da Conceição e que será oportunamente objecto de uma referência própria.

Na sacristia destacamos, numa moldura a “autêntica” (certidão da relíquia) do Santo Lenho e a respectiva cruz-relicário que costuma ser levada sob o palio nas Procissões dos Passos do Senhor.

À saída o baptistério fechado por umas grades em ferro forjado com um interessante e pormenorizado trabalho. No seu interior para além da Pia Baptismal, uma imagem de Santa Isabel, prima de Santíssima Virgem. Vê-se assim que vale a pena entrar e observar a nossa igreja com atenção, por isso aproveitem porque se trata de uma das poucas igrejas frequentemente abertas.